FISL: Cadê meu IP?

By lgbassani

Uma das palestras mais “pessimistas” do FISL foi a do IPv6 – prepare-se agora ou fique ilhado depois.

Quando eu estudei Redes de Computadores (na época creio que o BR-Linux nem existia ainda, hehehe), já se discutia que o atual endereçamento IP (versão 4) estava com os dias contados. Que logo-logo acabaria todos os endereços disponíveis e seria o caos na Internet.

A verdade é que, passado 12 anos, a Internet continua funcionando. Novas tecnologias foram adotadas, como o NAT, que deram sobrevida ao IPv4. Isso é o legal da Internet… Não adianta tentarem acabar com ela, tentarem fazer censura, a própria rede encontra uma forma de continuar “viva”.

Em todo caso, a muito tempo estava curioso para saber o que era este tal de IPv6, mas sempre adiava. Aproveitei que o tema seria apresentado no FISL e fui assistir.

Como eu disse, o palestrante apresentou um panorama bastante pessimista, prevendo que até 2011 todas as faixas IP estariam esgotados no órgão mundial (IANA), sendo que restariam apenas IPs “em estoque” nas regionais (que são 5) e nas entidades dos países (exemplo, CGI.BR). Até 2012/2014 devem acabar todos.

Claro que isso não significa que a Internet vai parar, mas pode significar (caso o IPv6 não seja amplamente utilizado até a data) em mais soluções “gambiarras”, como NAT sendo usado pelas “teles”. Exemplo: Virtua fornecendo um IP não-real para a sua casa.

Nisso eu até concordo com o palestrante. Realmente o uso de NAT nem sempre é tão “legal”. Principalmente quando se precisa usar aplicativos peer-to-peer, como por exemplo VOIP. E gera uma falsa sensação de segurança, porque muitos administradores deixam de instalar firewall, achando que estão protegidos devido ao NAT.

O que mais eu achei interessante, em relação ao IPv6, é que vai ser fornecido uma quantidade “obscena” de IPs para o usuário final. Aliás, no final do endereçamento é usado o endereço MAC da placa de rede, o que significa que não será mais necessário usar DHCP, segundo o palestrante; todos os equipamentos vão conseguir saber o seu IP, sem necessidade de configuração.

Ele fez uma brincadeira interessante: Vai ser tanto IPv6 disponível para o usuário final, que até a lâmpada vai poder “conversar” algum protocolo com o interruptor de luz, hehehe

Saí da palestra morrendo de vontade de testar o tal IPv6 e começar a adotar logo esta nova tecnologia, mas o fato é que isso não é tão simples. Nem todos os provedores estão preparados para fornecê-lo, sem mencionar que vai ser necessário trocar muitos equipamentos que atuam na camada de rede (como por exemplo, roteadores) para compatibilizar, mas é algo inevitável.

Além disso, alguns aplicativos podem não funcionar com o novo endereçamento, sendo que provavelmente vai ser necessário usar os dois endereçamentos por algum tempo.

Uma sugestão válida, é que quando for necessário comprar um novo equipamento de rede, já procure comprar um modelo que suporte este novo endereçamento.

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